CRUCIFICADA
Perdoai-me, quem me lê,
mas não posso ser a mesma
sempre.
Minha vida é urgente
feito cão faminto
e magro.
Preciso trocar de pele
_ de vez em quando –
para que a pressa não passe
por mim em disparada
assim como fazem os cavalos
de bons montadores.
Preciso estar em outros!
Em muitos e em muitas!
Um pouco do azedume da vida
precisa se instalar em certos momentos.
Quero, se possível, ser azeda!
Já me basta a doçura deslumbrante.
É hora chegada de partida
para outro ser.
Cansei da leve pluma,
da suavidade,
da leveza. Serei bruta!
E, talvez, crucificada.



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